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Morar em Nova Iorque é… Setembro 25, 2006

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* Pensar seriamente em comprar um par de patins pra chegar mais rápido no trabalho.

* Ler matérias na Spin e na Rolling Stone que falam sobre lugares que você frequenta.

* Pegar o metrô errado por distração.

* Escutar chinês, coreano, russo, espanhol, entre outras línguas, diariamente.

* Ver gente usando terno com havaianas e achar normal.

* Ver mordomo de tuxedo levando cachorro de madame pra passear. E achar normal.

* Chegar numa banca de revistas e ver “horóscopo para cachorros”. E tentar achar normal.

* No meio de uma grande diversidade de tipos humanos, não achar ninguém que se pareça com seus melhores amigos.

* Comprar flores em grosseries.

* Ter um ipod (pra poder aguentar horas de metrô)

* Na praia, ver gente entrando no mar de tênis e calça jeans.

* Constatar que camarão é mais barato que carne.

* Saber que você passa por experiências absurdas, surreais, dignas de literatura fantástica, mas que são nada mais que a sua vida.

***

Às vezes eu me seguro um pouco. Cheguei a pensar em nem escrever essas coisas que escrevi aqui em cima. Tenho um pouco de medo de soar deslumbrado ou exibido demais. Acho que esse é um tipo de medo que eu sempre tive. E que sei lá por que está sumindo. Paro de me preocupar tanto com o que eu penso que vão pensar sobre o que penso. Não leva a nada. Ou leva? Vai saber… tô indo pra praia.

***

Fui assistir ao Blue Man no sábado passado. Extasiante em todos os sentidos. Uma das melhores experiências sensoriais dos últimos tempos. Vou ver de novo. E de novo. E de novo…

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Só Hoje Setembro 17, 2006

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Eu sou uma minhoca.

Encerrando Um Assunto ou A Verdade Sobre Aniversários. Setembro 12, 2006

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            Resolvi escrever pra encerrar esse assunto de vez. Eu não gosto do meu aniversário e tenho vários motivos para isso.

            O primeiro: Eu estava fazendo 8 anos de idade. Meus pais me fizeram uma festa surpresa. Os amigos e filhos dos amigos de meus pais estavam presentes, mas nenhum amigo meu da escola. De repente os adultos se reuniram ao redor da TV para assistir “Roque Santeiro”, repreendendo as crianças que faziam barulho para que pudessem se deleitar com a novela. Fui para o quintal com as outras crianças e um “kit terrorismo” básico. Lasquei pimenta nos olhos de um guri e como o irmão dele disse que ia me entregar pros meus velhos, colei a boca dele com super-bonder. Não sei como, mas descobriram que fui eu. Levei uma das maiores surras da minha vida. Não acho ruim ter apanhado tanto na infância, porque se não fossem as surras, hoje eu seria um homem-bomba ou algo do gênero. Mas foi na minha festa de aniversário e na frente de todo mundo.

            O segundo: ainda na infância e pré-adolescência, eu sempre fui dois anos mais novo que todos os meus coleguinhas de classe. Porque decidiram que eu aprenderia a ler antes mesmo de saber falar, que eu seria um prodígio, um gênio, etc. A professora sempre apontava o dedo: “esse é nosso bebê”. Não bastasse ser mais novo, aos quinze anos eu não tinha mais que um metro e quarenta de altura. Criança e anão. Passei a reprovar de propósito e sabe-se lá como cheguei à altura que tenho hoje. Eu não queria ser igual a todo mundo, só não queria ser diferente.

            O terceiro: Eu sempre aparentei ter menos idade do que realmente tenho. Quando comecei a gravar comerciais, já adulto, só me empurravam trabalhos pra adolescentes. Fiz um de 17 anos pro alistamento militar quando tinha 25 e recentemente fiz o “garoto ENEM, supostos 18 anos, quando na verdade eu tenho 28. Depois do trigésimo trabalho como “adolescente”, sendo que você não mais o é, vira um pesadelo. Mesmo.

            O quarto e, em minha opinião, o pior: as pessoas acham que você precisa se preocupar com sua idade. As pessoas acham que você precisa, à medida em que fica mais velho, acumular bens, responsabilidades, respeitabilidade e estabilidade. As pessoas acham que você é um derrotado porque está ficando velho e ainda não tem um emprego no funcionalismo público, um apartamento parcelado em 200 anos e um carrão. E eu não me importo. Com nada disso.

            Nos últimos anos eu sempre fiquei tão bêbado quanto pude ficar nos meus aniversários. Esse ano eu preferi trabalhar. E agora pretendo me livrar de vez do desconforto que é passar um aniversário recebendo falsas felicitações e respondendo às expectativas dos outros. Só quero estar com meus amigos, minha família, meu amor e ponto final. Como disse pra mim uma menina russa, no dia desse meu aniversário: “ahhsrumbkalabrtmoshunheirsh”. Não entendi muito, porque não falo russo. Mas tenho certeza que essa menina era extremamente sábia e quis dizer algo como “Não ligue pro que os outros falam, é um dia igual a qualquer outro…”. Muito interessante essa afirmação. Não quero saber de idade ou do que acham que devo fazer de minha idade. Eu só quero ser feliz. Dá licença?

Parabéns Para Mim ou Um Ano Mais Perto da Morte Setembro 5, 2006

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Pois é! Mais um ano. Dessa vez não teve mega festa alternativa, não teve bandinha tocando, polícia chegando, gente desmaiada e a companhia de grande parte das pessoas perturbadas que me rodeiam costumeiramente em minhas passagens. Se antes comemorar meu aniversário era uma coisa tipo Sonic Youth fazendo cover do Roberto Carlos, dessa vez foi mais como um acarajé do mac donalds. Divertido na mesma medida, só que diferente.

Uma pena que trabalhei no bendito dia, (porque não vi muito sentido em parar a vida só por causa disso) logo as pessoas não me localizaram no telefone mágico daqui de casa. Será que estou com um medo subconsciente de ficar velho ou o quê? Graças à internet todos os meus queridos amigos se fizeram presentes, queridos, amados e malditos como de costume. E deixaram bem claro que eu sou o que eles fizeram de mim… foi lindo. Valeu pelos e-mails, gente!
Uma fotinha bem perto da hora da “virada”:

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Olha a cara de acabado depois de mais um dia… sintam os anos pesando nas costas… ò vida…

Pois é… umas cervejinhas, eu, Rafa, Momow, Geraldo, uma comida chinesa, uns papos bestas, um pub depois, umas doses de coisas pra todos, bolo surpresa no dia seguinte, comédia romântica com a galera na sala (que virou um filme trash com as dublagens que a gente fazia), festinha num barco no outro dia, enjôo, novas amizaaaaades, etc. e tal. Enfim, passou! Aleluia!

O que vai ficar mais marcado desse aniversário nem é o fato de estar em NY, mas as frases malucas que o Sr. Rafael, Dona Moema e Tio Geraldo soltaram depois de tomar umas e outras. Dignas de nota na revista Caras (ou Trópico). Confiram:

“Hummm… isso tem gostinho de infância…”
Moema, depois de tomar um gole de vodka on the rocks… é isso mesmo. Tomou uma golada e lembrou dos tempos de menina…

“Eu preciso aprender a não ter medo do escuro”
Rafa, que pediu pelamordedeus que eu não deixasse ele esquecer essa frase no dia seguinte, porque ela é muito profunda.

“Eu vi umas roupas de mulher numa loja hoje que eram tão lindas que eu quase comprei só pra botar no meu armário e ficar olhando, só pra ter em casa…”
Geraldo, em momento “material girl”. Por favor, alguém aí concorde comigo que isso é doentio!

E foi isso… felicidade… de estar ao lado de pessoas queridas e amadas, mesmo que distante. Meu mundo só é completo assim: com todo mundo aqui dentro das minhas mitocôndrias.

Amanhã, depois ou no dia que me der na telha, fotos estarrecedoras de NYC por Hélio Sales E Moema Umann. Agora vou ali cuidar do tio Bin Laden, que está hospedado aqui em casa esses dias pras comemorações do 11 de setembro. Beijos bombásticos!