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Dadaism Março 18, 2007

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Se um dia você for embora me leva contigo, Dindí Março 17, 2007

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Jazz de primeira na Broadway com a 92…

Uma das coisas boas de estar longe do Brasil é dar uma olhada na lista de músicas mais executadas no país e não ter idéia do que são aqueles hits. Às vezes alguém acaba me mostrando isso ou aquilo de “novidade”, e eu me sinto como o mais abençoados dos ignorantes. Talvez até feliz mesmo.

Não que aqui não exista lixo. Ora bolas, os Estados Unidos são os campeões mundiais da produção (literal e metafórica) de lixo. Mas antes o lixo do hip-hop, das popices idiotas e de todo o resto que está rondando por aqui. Só de não ter que esbarrar em termos como “forró universitário” (que me dá até urticária), penso que já saio no lucro.

A impressão que os Estadunidenses têm da música brasileira é das melhores. Também pudera, estão parados no tempo. João Gilberto e Tom Jobin estão em todas. Caetano e Gil também, nos núcleos mais moderninhos. Bebel Gilberto e uma ou outra bandinha indie também estão nas paradas, mas não fazem uma música brasileira propriamente dita. Enfim, outro dia, à convite de um amigo americano, fui à um club de jazz na 92 com a Broadway. E no meio do set, do nada, a banda manda o “samba de uma nota só” e “desafinado”. Em português. Fiquei emocionado porque a situação foi muito inusitada. E orgulhoso também, pelo esforço e ousadia da cantora de cantar em português. Foi lindo.

É claro que no intervalo eu fui conversar com os músicos, que pediram referências, perguntaram se estava tudo certinho e ainda me perguntaram se eu gostava do estilo e do repertório. Entre outras, sugeri que eles procurassem uma música chamada “Dindí”, que eu amo de paixão, por motivos que eu nem sei direito. Voltei pro meu assento, pro meu drink, pro meu amigo e esperamos o começo da segunda parte da apresentação. A cantora pega o microfone, diz que está muito feliz com a presença de um amigo brasileiro na platéia e que a próxima música é para ele. Juro que olhei para os lados, procurando o tal brasileiro. Só acreditei mesmo que ela estava falando de mim quando começou a cantar:

“Céu, tão grande é o céu
E bandos de nuvens que passam ligeiras
Prá onde elas vão, ah, eu não sei, não sei…”

É por causa desses pequenos momentos que NY marca a vida das pessoas. Não conheço quem não tenha uma história assim pra contar. De uma forma ou de outra, Manhattan acaba fazendo mágica, apaixonando, viciando. Talvez seja uma maneira de compensar a aspereza do dia-a-dia, a falta de tempo, a impessoalidade geral, o distanciamento da maioria das relações…

Acabei de conferir uma lista das músicas mais tocadas nesse exato instante no Brasil. Não sei quem é Armandinho, Dibob e genéricos. Se tudo der certo, jamais saberei quem são e o que fizeram essas pessoas/bandas. Como os americanos, prefiro ficar parado no tempo. Eu e Dindí.

PS: Eu amo música brasileira, acompanho muita gente nova que eu acho legal, como o Max de Castro, o Otto, Nação Zumbi, etc… mas que o que toca nas rádios, TVs e mídias de massa é descartável é fato consumado.

Even Sad I Still Can Make People Laugh ou O Mundo Não Presta Mesmo e Ponto Final (ou reticências) Março 14, 2007

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Ou foi a lua ou… Março 5, 2007

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…sei lá o quê.

Culpa do eclipse? Da fase? Do aquecimento global? Ou culpa minha e estou tentando jogar pra cima do satélite que roda, roda e que teoricamente interfere mesmo só nas marés?

Foi meio sem motivo, mas essa semana prestei muita atenção na lua. Nas caminhadas para o trem, nos passeios bestas, nas idas e vindas para almoçar, cortar cabelo, comprar alguma coisa na deli da esquina. A lua refletida na água do mar da marina, tremendo como num quadro expressionista. A lua calada da madrugada, me acompanhando no caminho de casa depois de um cochilo de bêbado no metrô. A lua da música do Arnaldo Antunes, escolhida entre outras cinco mil músicas aleatoriamente para tocar num momento chave…

É impressão minha ou tá todo mundo meio sensível de uns dias pra cá? Ou sou só eu?

Foi-se o tempo em que planejar toda uma nova vida era coisa de festa de ano-novo. E que ter que agradar papai e mamãe era suficiente para ser considerado uma pessoa… boa.

Todo dia, todo dia, todo dia. Essa semana peço as contas no emprego atual, que já vejo como antigo. Onde será o próximo só Deus e o craigslist.com sabem. Tenham dó de meus pés, que eles vão bater mais calçada que rapariga de beira de estrada.

Expectativas. Mais e mais. De mim para mim mesmo, e em relação aos outros, e dos outros em relação a mim, e do mundo, e de ninguém. De amigos estrangeiros que pedem que eu escreva em inglês de vez em quando até cobranças sentimentais que  me faço, que me fazem, que me perturbam. Escolhas, escolhas. E eu começo escrever num brainstorm para ninguém que alguém (você) vai acabar lendo (e provavelmente não entenderá direito) como se isso me trouxesse a sensação de que me ajudaria a encontrar respostas.

Tá vendo só? Expectativas até mesmo em relação a um texto de blog capenga.

Tem horas em que eu penso sinceramente que estaria menos perdido na ilha de Lost.

Isso me dá uma agonia tão grande que só não é maior que a excitação em relação ao que está do outro lado.

Do outro lado das respostas, das escolhas, dos resultados, do destino, do esforço…

Essa semana será de muito frio. Terça e Quarta-feira teremos a máxima de -5 e a mínima de -12. Uma lua incansável no céu. Um menino besta na terra. E um calor de matar nas terminações nervosas do meu cérebro.

Enquanto o sorriso estiver na cara, tá valendo.

Semana boa pra todo mundo…