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Se um dia você for embora me leva contigo, Dindí Março 17, 2007

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Jazz de primeira na Broadway com a 92…

Uma das coisas boas de estar longe do Brasil é dar uma olhada na lista de músicas mais executadas no país e não ter idéia do que são aqueles hits. Às vezes alguém acaba me mostrando isso ou aquilo de “novidade”, e eu me sinto como o mais abençoados dos ignorantes. Talvez até feliz mesmo.

Não que aqui não exista lixo. Ora bolas, os Estados Unidos são os campeões mundiais da produção (literal e metafórica) de lixo. Mas antes o lixo do hip-hop, das popices idiotas e de todo o resto que está rondando por aqui. Só de não ter que esbarrar em termos como “forró universitário” (que me dá até urticária), penso que já saio no lucro.

A impressão que os Estadunidenses têm da música brasileira é das melhores. Também pudera, estão parados no tempo. João Gilberto e Tom Jobin estão em todas. Caetano e Gil também, nos núcleos mais moderninhos. Bebel Gilberto e uma ou outra bandinha indie também estão nas paradas, mas não fazem uma música brasileira propriamente dita. Enfim, outro dia, à convite de um amigo americano, fui à um club de jazz na 92 com a Broadway. E no meio do set, do nada, a banda manda o “samba de uma nota só” e “desafinado”. Em português. Fiquei emocionado porque a situação foi muito inusitada. E orgulhoso também, pelo esforço e ousadia da cantora de cantar em português. Foi lindo.

É claro que no intervalo eu fui conversar com os músicos, que pediram referências, perguntaram se estava tudo certinho e ainda me perguntaram se eu gostava do estilo e do repertório. Entre outras, sugeri que eles procurassem uma música chamada “Dindí”, que eu amo de paixão, por motivos que eu nem sei direito. Voltei pro meu assento, pro meu drink, pro meu amigo e esperamos o começo da segunda parte da apresentação. A cantora pega o microfone, diz que está muito feliz com a presença de um amigo brasileiro na platéia e que a próxima música é para ele. Juro que olhei para os lados, procurando o tal brasileiro. Só acreditei mesmo que ela estava falando de mim quando começou a cantar:

“Céu, tão grande é o céu
E bandos de nuvens que passam ligeiras
Prá onde elas vão, ah, eu não sei, não sei…”

É por causa desses pequenos momentos que NY marca a vida das pessoas. Não conheço quem não tenha uma história assim pra contar. De uma forma ou de outra, Manhattan acaba fazendo mágica, apaixonando, viciando. Talvez seja uma maneira de compensar a aspereza do dia-a-dia, a falta de tempo, a impessoalidade geral, o distanciamento da maioria das relações…

Acabei de conferir uma lista das músicas mais tocadas nesse exato instante no Brasil. Não sei quem é Armandinho, Dibob e genéricos. Se tudo der certo, jamais saberei quem são e o que fizeram essas pessoas/bandas. Como os americanos, prefiro ficar parado no tempo. Eu e Dindí.

PS: Eu amo música brasileira, acompanho muita gente nova que eu acho legal, como o Max de Castro, o Otto, Nação Zumbi, etc… mas que o que toca nas rádios, TVs e mídias de massa é descartável é fato consumado.

Even Sad I Still Can Make People Laugh ou O Mundo Não Presta Mesmo e Ponto Final (ou reticências) Março 14, 2007

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Ou foi a lua ou… Março 5, 2007

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…sei lá o quê.

Culpa do eclipse? Da fase? Do aquecimento global? Ou culpa minha e estou tentando jogar pra cima do satélite que roda, roda e que teoricamente interfere mesmo só nas marés?

Foi meio sem motivo, mas essa semana prestei muita atenção na lua. Nas caminhadas para o trem, nos passeios bestas, nas idas e vindas para almoçar, cortar cabelo, comprar alguma coisa na deli da esquina. A lua refletida na água do mar da marina, tremendo como num quadro expressionista. A lua calada da madrugada, me acompanhando no caminho de casa depois de um cochilo de bêbado no metrô. A lua da música do Arnaldo Antunes, escolhida entre outras cinco mil músicas aleatoriamente para tocar num momento chave…

É impressão minha ou tá todo mundo meio sensível de uns dias pra cá? Ou sou só eu?

Foi-se o tempo em que planejar toda uma nova vida era coisa de festa de ano-novo. E que ter que agradar papai e mamãe era suficiente para ser considerado uma pessoa… boa.

Todo dia, todo dia, todo dia. Essa semana peço as contas no emprego atual, que já vejo como antigo. Onde será o próximo só Deus e o craigslist.com sabem. Tenham dó de meus pés, que eles vão bater mais calçada que rapariga de beira de estrada.

Expectativas. Mais e mais. De mim para mim mesmo, e em relação aos outros, e dos outros em relação a mim, e do mundo, e de ninguém. De amigos estrangeiros que pedem que eu escreva em inglês de vez em quando até cobranças sentimentais que  me faço, que me fazem, que me perturbam. Escolhas, escolhas. E eu começo escrever num brainstorm para ninguém que alguém (você) vai acabar lendo (e provavelmente não entenderá direito) como se isso me trouxesse a sensação de que me ajudaria a encontrar respostas.

Tá vendo só? Expectativas até mesmo em relação a um texto de blog capenga.

Tem horas em que eu penso sinceramente que estaria menos perdido na ilha de Lost.

Isso me dá uma agonia tão grande que só não é maior que a excitação em relação ao que está do outro lado.

Do outro lado das respostas, das escolhas, dos resultados, do destino, do esforço…

Essa semana será de muito frio. Terça e Quarta-feira teremos a máxima de -5 e a mínima de -12. Uma lua incansável no céu. Um menino besta na terra. E um calor de matar nas terminações nervosas do meu cérebro.

Enquanto o sorriso estiver na cara, tá valendo.

Semana boa pra todo mundo…

Minha vida, nossas vidas, formam um só… Fevereiro 26, 2007

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…Diamante?

Faz tempo que eu brincava de construir versões pornô-escatológicas de poemas de Drummond. Eu, Airton, Mateus, Will, João… onde estão meus amigos agora? Onde estão os poemas? Onde estou?

Confusão? Que nada. Prefiro pensar que é excesso de informação. Aqui neva, em Brasília chove e no Nordeste faz um calor de fritar ovo na calçada. Estou aqui, aí e lá. Meu medo é acabar não ficando em lugar algum. O tempo é relativo, o tempo é relativo, o tempo é relativo, repito para mim mesmo, confiro nas teorias para confirmar que é isso mesmo, como quem confere a previsão do tempo para decidir se coloca um casaco ou não antes de ir comprar cigarro na esquina. Incluo aí o espaço, que nessa correria já desisti de separar um do outro. Paro pra fazer a barba em frente ao espelho, com essas idéias na cabeça, mais pra justificar estar indo dormir tão tarde sendo que amanhã levanto às oito da matina que por reflexão filosófica mesmo. Então me perco. Eu sou o tempo e o espaço também, concluo. Só que na minha cabeça, não é assim que eu penso. Foi desse jeito: Eu sou o tempo e o espaço as well.  E penso no inglês. Na palavra que escutei ontem e que guardei na memória para olhar num dicionário o significado exato. Confiro e a coisa não bate com o contexto do papo onde a maldita foi proferida. Me dou conta, então, que na verdade na verdade, nenhuma palavra tem o sentido exato, equivalência perfeita. A gente aproxima, adapta, recoloca. Isso significa que eu não traduzo nada, nem pra falar ou pra receber. Eu aproximo. Meu medo se transformou nisso. Acabo pensando e usando algumas coisas que não posso mostrar o real significado na minha língua materna. Às vezes sinto-a se distanciando de mim, num fade-out lento e cruel. Como os meus amigos, vivendo outras amizades, outros tempos, outras cidades. Suspiro. Fecho os olhos e dou um sorriso, confiro a neve caindo pela janelinha do banheiro e ela já não é mais a neve bonita das primeiras tempestades do inverno. O consolo me vem com a lembrança de uma aula de Budismo: tudo o que foi, permanece. Eu permaneço em meus queridos, em significados abstraídos e aprendidos, no subjetivo e nas cicatrizes que percorrem o meu corpo, pra me avisarem que não, eu não deixei de ser o garoto destrambelhado, mau-humorado e sorridente que me tornei por causa do tempo, espaço e amor que me rodeou até agora. Procuro uma poesia antiga, pra amansar minha mente no meio desses devaneios que só vêm na hora de deitar, e quando eu não quero deitar. Encontro o Drummond. Encontro um pouco de mim e dos outros que se incluíram a mim por osmose e consequência da vida. Sorrio e fico mais tranquilo. Sim, ainda posso dizer que sou amável e detestável ao mesmo tempo, que desperto paixões e desafetos, que algumas coisas vão tomar outro rumo, mas que no fundo, pouco vou mudar. Ainda posso dizer que eu não presto.

E chegar a esta conclusão foi uma das melhores coisas desse domingo, que já virou segunda-feira.

Boa semana para os que passarem por aqui. E para os que não passarem também. Amém!

Prós e Contras Fevereiro 9, 2007

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Minha semana foi ótima e péssima.

Bad News:

- O tempo tá uma merda. Odeio essa porcaria de frio.

- Meus estômago voltou a atacar o meu corpo com estocadas pontiagudas de dor nos momentos mais impróprios.

- Meu telefone novo tem uma bateria que dura… dois dias.

Good News:

- Encontrei com minha orientadora de diplomação, que agora além do título de orientadora de diplomação do Hélio carrega também o título de Doutora! Viva a Luísa Melo!!! Ela esteve por uma semana em NY com o marido e o filhão lindo, o Henrique. Sérgio, seu marido, tirou várias fotos da gente que eu faço questão de colocar aqui assim que recebê-las por e-mail. Nas últimas idas de Luísa & Cia à Brasília eu nunca tive tempo pra encontra-los, mas agora consegui! Muito bom encontrar com gente boa, interessante e querida… e muito bom saber também que o Sérgio, que já julguei ser virtual, existe de verdade!

- 07.07.2007. Essa é a data do lançamento do disco novo dos Smashing Pumpkins. Tenho pena de meus ouvidos, cérebro e ipod quando eu estiver com isso em mãos…

- Novos amigos chegando na área. Sejam todos bem vindos. Eu sou um problemático-carente-dependente dessa coisa que se chama amizade. Como diria o Ronald MacDonald, Amo Muito Tudo Isso.

- Notícias quentes de Brasília, Rio e Bahia. São meus irmãos de fato e irmãos de alma fazendo jus ao título de perturbados pela minha influência… maligno-benéfica.

- Lendo muita coisa legal. Em breve, bem breve, uma resenha anárquica de um livro que tem me acompanhado nas idas e vindas de metrô…

**********

E apesar de todo meu chovinismo, o mundo continua lindo. Amo essa coisa horrorosa, tosca e fantástica que se chama humanidade.

Viva Música Fevereiro 2, 2007

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’cause all these conversations wind on and on…
Drinking champagne from a paper cup
Is never quite the same”

Death Cab fot Cuttie – Champagne from a paper cup

Come on, by my side
Come on, both sides
Come on, by my side
Come on, both sides
Come on “

Kasabian – By My Side

The only reason that you came
So what you scared for?
don’t you always do the same
It’s what you there for, don’t you know”

Arctic Monkeys – Dancing Shoes

Here I am! Inspirado (sempre) em meu amigo Botox, eis que me coloco com epígrafe e tudo pra escrever um pouquinho sobre minha vida (ou seja, música). Não só inspirado, mas imitando mesmo, vamos à lista do melhor da música de 2006! A lista do Botas é boa (confiram aqui) mas está incompleta. Tirando que eu tentei e não consegui achar os Raconteurs lá essas coisas…

2006 foi um ano de bons discos. Temos as unanimidades: The Eraser, do Thom Yorke é uma delas. Whatever People Say I am, That’s what I’m not, dos Arctic Monkeys é outra. Amputechture, do The Mars Volta também vale. E um dos melhores de todos: The Information do Beck! Tudo na vida de uma pessoa como eu!!! Entre as unanimidades (ou quase), não vejo muita graça em (como já disse) Raconteurs, na também estréia do Clap Your Hands Say Yeah (que se eu não me engano, ainda é de 2005, mas escutei em 2006, hehehe) e no segundo da Regina Spektor, queridinha dos Strokes… a ficha ainda não caiu…

Mas ainda tivemos Klaxons, o amado e odiado segundo disco dos Killers, o controverso (e que eu amei) Yeah Yeah Yeahs, Decemberists, Death Cab for Cuttie… tive que dar o braço a torcer e gostar de umas musiquinhas do CSS, com clipes feitos na gringolândia e tudo… além de New York Dolls, Arcade Fire, Kasabian, Built to Spill… tanta coisa boa que dá vontade até de chorar.

Mas coisa linda de Deus vai ser 2007! Disco novo do Kaiser Chiefs! Êeee!!! Arcade Fire tb! Êeeeeee!!! A volta dos SMASHING PUMPKINS!!! Ê Ê Ê ÊEEEEEEEEEEEE!!! O NOVO DA PJ HARVEY!!! AGUEEEEEENTA CORAÇÃO!!! Tirando o novo do Radiohead. Aí pronto… eu morro de vez!!!

Dá até pra esquecer os carros-chefe do lixo-chiclete de 2006. Timberlake, a Beyoncee, o laxante da Paris Hilton, o sonífero em dose dupla da Marisa Monte…

E falando em música brasileira… ponto pra Bethânia, Arnaldo Antunes e Caetano Veloso. O do Chico quase ficou bom, mas me deu muito sono. Ah, também teve a loucura do Montage, as engraçadas LBFV, Autoramas… baum demais…

MAS

O disco mais sensacional do planeta terra em 2006 foi, em minha humilde/arrogante opinião, o THE LOST CROWES, do fabuloso THE BLACK CROWES. Um cd duplo, que foi lançado em 2006 mas que já existiam fazia um tempão. Um dos discos foi gravado em 1993 e o outro em 1997. O disco de 1993 não foi lançado mas algumas músicas foram aparecendo em discos posteriores, uma aqui, outra ali… e o de 1997 foi COMPLETAMENTE deixado de lado depois de gravado, quando eles decidiram começar músicas novas que resultaram no “By Your Side”. Pior que juntos, eles são maravilhosos… São os Black Crowes totalmente em forma, aquele rockão clássico em todos os sentidos, desde a voz do Chris até os tecladões vintage, as guitarronas, os solos, a bateria… não tem uma só música ruim no disco. Visceral, atual, extasiante e um monte de outros adjetivos que valem menos que qualquer audição do “The Lost Crowes”.

E infelizmente, esse foi um dos lançamentos mais ignorados do ano de 2006. Triste!

Baum, a minha lista é mais ou menos esta. Faltou alguma coisa?

Sem Calor, Sem Tempo, Sem Vergonha, Sem Verão Janeiro 31, 2007

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Mas sempre há espaço para uma foto com cara de safado na neve…

Mais uma semana… Janeiro 15, 2007

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Conferir a previsão do tempo pra não sair com agasalho demais (ou de menos).

Tentar comprar pelo menos o essencial da lista de compras feita há umas 3 semanas…

Responder e-mails…

Fingir que é véspera de ano novo e acreditar que tudo vai ser melhor e diferente (se não for assim… não vale a pena… vale não)

Sentir saudades de mim (das coisas mais lindas e horríveis do mundo, meus amigos diabolicamente divinos)

:D

Tempo, tempo, tempo, tempo…

BOA SEMANA!!!

Wow! Janeiro 12, 2007

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Memória é tudo o que a gente tem. Por exemplo, pense que você perdeu tudo. Casa, trabalho, amores, família, tudo. Carro, cachorro, piscina e bicicleta. Tudo mesmo. Tudo foi pro espaço. Ficam as lembranças. Sempre. E mesmo que você não perca tudo, ou mesmo que não perca nada. A memória está ali pra te alfinetar e acariciar, fazendo você se lembrar do quanto foi triste, feliz, bobo, carrasco, humano… a gente pode perder todos os referenciais e redefinir metas, mudar de postura, de partido político, passar de onívoro a vegetariano, sair do armário ou virar hippie. Mas você tem os seus porquês, motivos. Porque você tem memória. Mesmo que seletiva. Mesmo que fraca. Mesmo que seja burro. Ninguém se esquece da primeira vez, do primeiro beijo, de muitos beijos. Das merdas, das vitórias. Da música que tocou naquela hora. Daquela hora. A hora.

A memória é o meu problema. Ou minha piada.

Converso em inglês com russos bebendo cerveja mexicana. Converso em espanhol com um argentino tomando vodka finlandesa. Escuto música americana em casa tomando cachaça. Começo a escrever memórias em um caderno qualquer no primeiro idioma que me vem aos dedos. Meu cérebro já se habituou às sinapses. Meu sorriso amarelo já se abre automático ao me perder numa palavra ou outra. O vento frio me empurra pelas ruas de Manhattan, e eu acho graça. Passo mais tempo com meu ipod que com qualquer pessoa de verdade.

Eu me lembro o tempo inteiro de quem eu era.

Eu até sinto falta de mim. E muito dos meus amigos que ficaram longe. E das farras, festas. Das brigas. Intrigas. De tudo. Eu sou tudo aquilo que eu me lembro, e agora sou também isso.

Uma bagunça multicultural.

De maneira estranha e curiosa, me sinto bem pra caralho…

Feliz Ano Novo! Janeiro 1, 2007

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E façam como eu… na balada, só beba água!!!

:D

Muita LUZ pra todo mundo!!!

Vivaaaaa!!!